O ECLETISMO NA ARQUITETURA

DEFINIÇÃO

Em filosofia o significado de Ecletismo pode ser definido em duas maneiras diferentes: “Reunião de elementos doutrinários de origens diversas que não chegam a se articular em uma unidade sistemática consistente.” Ou também: “Posição intelectual ou moral caracterizada pela escolha, entre diversas formas de conduta ou opinião, das que parecem melhores, sem observância duma linha rígida de pensamento”. (Dicionário Aurélio – Séc XXI).

No enfoque desse artigo será tomado em consideração apenas o Ecletismo como estilo arquitetônico, inclusive na arquitetura de interiores. Nesse sentido, com o termo Ecletismo entendemos a combinação de diferentes estilos históricos em uma única obra sem que isso signifique produzir um novo estilo. Tal método baseia-se na convicção de que a beleza ou a perfeição pode ser alcançada mediante a seleção e combinação das melhores qualidades das obras dos grandes mestres. Além disso, o termo pode designar um movimento mais específico relativo a uma corrente arquitetônica do século XIX.

CRONOLOGIA ESSENCIAL

1830-1848:  Estilo “Luís Felipe”; França

Os móveis produzidos nesse período são cômodos e funcionais e, ao mesmo tempo, moderadamente ostentosos. As madeiras preferidas são escuras como o carvalho e o mogno. Cortinas e brocados revestem as paredes dos ambientes.

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Cômoda Luís Felipe

 

1852-1870:  Estilo “Napoleão III”; França.

A celebração da renovada “grandeur” francesa leva os construtores a imitar os móveis da época Luiz XV e os Neo-clássicos. As novas tecnologias permitem o utilizo de finas camadas de madeiras caras como o ébano e a palissandra, tornando esses móveis acessíveis à pequena burguesia. A ornamentação é metálica, produzida em série. Esse estilo é também chamado de “Segundo Império”.

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Cômoda Segundo Império

 

1837-1901:  Estilo “Vitoriano”; Inglaterra

No mobiliário a principal influência foi a do estilo Luís XV. Os móveis, pesados e mal proporcionados, são em nogueira, jacarandá, ébano e mogno com entalhaduras de madrepérola. A decoração era de mau gosto com ornamentação em excesso.

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Sala em estilo Vitoriano

 

CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL

O século XIX marca, finalmente, o triunfo da burguesia sobre a nobreza. Esse é o resultado da acumulação de grandes fortunas surgidas ao longo do século e, frequentemente, como conseqüência do seu espírito empreendedor na indústria e no comércio. Tal importante avanço no setor da economia e finança é realizado graças à exploração da grande massa do proletariado urbano.

Surgem os primeiros movimentos de luta e, em 1848, Marx e Engels publicam o “Manifesto do Partido Comunista”. O 1848 é também o ano das revoluções na Europa.
Após uma fase de violenta repressão inicia um lento e progressivo desenvolvimento das classes sociais mais humildes que acarreta novos direitos para a emergente classe operária. A revolução industrial se alastra a partir da Grã Bretanha e rapidamente invade a Alemanha, a França, a Bélgica e a Holanda, sem esquecer os Estados Unidos. Se, por um lado, o proletariado vê melhorada progressivamente a sua posição social, pelo outro assistimos ao triunfo da grande burguesia e, em seguida, também da pequena e média burguesia.

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É exatamente dessa classe social que nascem os novos gostos e tendências culturais. Do ponto de vista demográfico, assistimos a uma evasão rural para as grandes cidades, em busca de trabalho e melhores condições de vida. Em virtude do impressionante desenvolvimento urbano torna-se necessário um novo estilo no planejamento das cidades. A arquitetura é, obviamente, o instrumento mais contundente desta revolução sócio-econômica. Nasce a arquitetura industrial, ou seja, aquela maneira de projetar e realizar os edifícios ligados às exigências da produção: oficinas, fábricas, laboratórios, estações ferroviárias, etc.
Em Paris e Londres são construídos edifícios públicos utilizando, pela primeira vez, maciças estruturas metálicas. Na Inglaterra e França são edificados grandes complexos dedicados às primeiras exposições universais chamadas de “feiras da modernidade”. A característica mais marcante do espírito que animou os artistas desse século foi, basicamente, a conquista de uma enorme liberdade expressiva, com quebra de regras tidas como excessivamente vinculadoras.

 

O ECLETISMO NA ARTE E NA ARQUITETURA

O uso do termo Ecletismo é introduzido na historiografia da arte no século XVIII pelo teórico alemão Johann Joachim Winckelmann (1717-1768) para designar uma espécie de sincretismo consciente.
O termo passa a ser utilizado, ocasionalmente, em sentido pejorativo como sinônimo de falta de personalidade e originalidade. No século XX o conceito de ecletismo perde algo da conotação negativa que o acompanha e é usado para indicar fases ou fenômenos sincréticos em culturas de diferentes períodos ou regiões do globo.

O arquiteto francês Eugène Viollet-le-Duc (1814-1879) afirma a importância de recuperar o estilo gótico não no sentido de simples imitação do modelo formal, e sim de seus princípios construtivos. Na catedral gótica ele vê o antecessor mais direto das fábricas com esqueleto metálico e coberturas de ferro e vidro. Para Viollet-le-Duc existe uma beleza intrinsecamente ligada ao utilizo da técnica moderna.

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Eugène Viollet-le-Duc

A expressão “Ecletismo Historicizante Acadêmico” designa aquela mobília produzida entre 1850 e 1900. O termo “Historicizante” resume a tendência geral de pegar como fonte de inspiração fases históricas e estilísticas do passado, enquanto o termo “Acadêmico” indica como os objetos produzidos nesse período chegam a receber o consenso das Academias de Arte, gozando da aprovação da crítica da época.

Sempre ouve um debate onde os acadêmicos se perguntavam se o ecletismo devia ser considerado um estilo novo e próprio de sua época ou devia ser considerado apenas a re-formulação dos velhos estilos sem produzir uma inovação por si só. Agora, desde a Segunda Guerra Mundial, tende-se a admitir o ecletismo como procedimento válido na atividade criativa.
Como movimento artístico, o Ecletismo ocorre na arquitetura e na arte do século XIX. As primeiras vanguardas desse movimento datam da terceira década do Sec. XIX com a afirmação de pulsões neo-góticas em áreas francófonas e neo-renascentistas em Florença. Por volta de 1840, sempre na França, em reação à hegemonia do estilo greco-romano, os arquitetos começam a propor a retomada de outros modelos históricos como, por exemplo, o gótico e o românico.

O principal teórico do Ecletismo arquitetônico é o francês César Denis Daly (1811-1893) que o entende como “o uso livre do passado”. Não se trata de uma atitude de simples copista, mas da habilidade de combinar as características superiores desses estilos em construções que satisfaçam a demandas da época por todo tipo de edificação. Na segunda metade do século XIX, o Ecletismo tem forte presença na Europa. O estilo Segundo Império é caracterizado pela realização de importantes edifícios ecléticos, como o Teatro Ópera de Paris, projetado por Charles Garnier (1825-1898).

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Foyer do Teatro Opera de Paris

O ecletismo arquitetônico difunde-se também pelas Américas, marcando as construções do mundo novo. No Brasil, no período de transição para o século XX, o Ecletismo é a corrente dominante na arquitetura e nos planos de reurbanização das grandes cidades.
Por exemplo, no Rio de Janeiro o engenheiro Francisco Pereira Passos (1836-1913) empreende a reforma urbanística que derruba antigas construções do período colonial para abrir a moderna Avenida Central, atual Avenida Rio Branco, e a Avenida Beira-Mar, expandindo a cidade em direção à zona sul.
Em São Paulo, cidade muito mais acanhada do que o Rio de Janeiro no fim do século XIX, o primeiro monumento marcante do novo movimento arquitetônico é o Museu Paulista (conhecido como Museu do Ipiranga), projetado pelo arquiteto italiano Tommaso Bezzi e construído entre 1882 e 1885.

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Museu do Ipiranga

 

APROFUNDAMENTO

No final da década de Setecentos a produção arquitetônica europeia recebeu sugestões artísticas do passado para poderem ser manipuladas com certa liberdade. Começaram a se afirmar juntamente os estilos neogótico, neo-barroco neo-renascentista, respectivamente inspirados no gótico, no barroco e na renascença, elaborados sobre uma análise dos monumentos antigos, às vezes “ecoados” em modo apenas superficial com elementos e tons mais sugestivos. Além disso, a arte de países distantes e de civilizações do passado serviram de modelo para os arquitetos, movidos por um desejo de exotismo, reinventando assim, às vezes de maneira arbitrária, formas egípcias, gregas, romanas, indianas, etc. agora todas denominadas de “neo-algumacoisa”.

O estilo Eclético, na França, criou edificações importantes e imponentes, tendo a adesão das classes mais elevadas. Do ponto de vista teórico e crítico os intérpretes da corrente eclética rejeitavam o conceito acadêmico de “belo absoluto”, logo abrindo mão de todas as rígidas aplicações de regras específicas. Mesmo assim a arquitetura eclética, de maneira geral, se caracterizou pela simetria, busca de grandiosidade, rigorosa hierarquização dos espaços internos e riqueza decorativa.

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Armário em estilo Neo-renascentista

As diferentes linguagens artísticas foram reelaboradas a critério do arquiteto seguindo a sua pessoal inspiração. Esse foi um reflexo do romantismo que, do inicio do século XIX interessou progressivamente todos os âmbitos artísticos. No princípio a tendência eclética se impôs especialmente na realização de estruturas para festas e grandes eventos; sucessivamente começou a ser apreciada também para mobiliar casas e jardins nos quais, frequentemente e de forma totalmente acrítica, misturavam-se tempos gregos, vasos árabes e pavilhões indianos.

Na época afirmou-se o costume de mobiliar cada sala das residências mais luxuosas segundo um estilo diferente. Destarte, os marceneiros e os ebanistas tiveram que aprender a lidar com formas bastante diferentes entre si. Isso, de conseqüência, favoreceu o renascimento do artesão artístico.
Mas, com certeza, foi o modernismo industrial do século XIX que serviu como trampolim para o sucesso do estilo eclético. Em 1851, pela primeira vez, na exibição “Great Exhibition” em Londres foram realizados pavilhões onde os mercadores das principais nações do mundo foram chamados para expor suas próprias obras. A Grande Exposição desencadeou um movimento similar ao moderno conceito de globalização.

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Pavilhão Indiano na Great Exhibition de 1851

Percebeu-se que as empresas presentes exibiam para a atenção do publico obras que mostravam a história recente ou antiga da própria nação. Houve euforia em expor todas as obras antigas remodeladas, havendo-se, inicialmente, um certo grau de dependência relativamente aos modelos originais, quase como se fosse uma cópia, uma reprodução.
Outrossim, a fantasia de cada artista, artesão, arquiteto, ourives, etc. não demorou para se afirmar levando os artistas a formular obras personalizadas as quais condensavam vários séculos de história. Era isso o que os clientes queriam, curiosos por artes distantes e citações culturais magníficas mostrando que aquela geração iria reviver uma era áurea. Todas as grande técnicas do passado reviviam numa miríade de moveis, cerâmicas e objetos do Ecletismo.

Objetivamente nessa fase foram realizadas verdadeiras obras primas, mas é oportuno sublinhar que, rapidamente, prevaleceu a produção em série, com custos cada vez menores e de baixo perfil técnico e estético.
Nas últimas duas décadas do Sec. XIX florescerem novas tendências que, de alguma forma, escapavam da produção ligada a perspectivas históricas. O novo movimento britânico “Arts and Crafts” tornou-se o porta-voz de tendências progressistas caracterizadas por estruturas simples, embora requintadas, executadas com esmero e busca estética original, no intento de reviver as glórias das antigas corporações medievais.

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Casa “Arts & Crafts”

Houve empatia entre o movimento “Arts and Crafts” e o “Queen Anne Style” dos arquitetos George Devey e Richard Norman Shaw os quais misturavam elementos do estilo “Tudor” com outros do estilo “Old English”. O “Queen Anne Style” chegou nos Estados Unidos em 1878 onde fez bastante sucesso; suas características peculiares são as fachadas assimétricas, torres poligonais, chaminés monumentais e tijolos a vista. Sempre nos últimos anos do século, vemos a afirmação de móveis em bambu e até chifres de animais são utilizados (estilo Horn).

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Casa em estilo Queen Anne

 

ECLETISMO NOS ESTADOS UNIDOS

Nos EUA a aos inícios de 1880 a Escola de Chicago foi responsável pela produção de diversos edifícios no estilo Eclético, a maioria dos quais arranha-céus. Entre 1800 e 1900 em Chicago nasce o centro de negócios da cidade, zona urbana densa de edifícios utilizados para hotéis e escritórios. Devido à densidade estrutural e o alto preço dos espaços, nasce o arranha-céu, esse consiste em máxima utilização de espaços internos, flexibilidade funcional e, principalmente, máximo aproveitamento do terreno.

Além da conquista tecnológica em Chicago a cultura arquitetônica toma um posicionamento liberalista que permitirá a criação de obras como o “Reliance Building”. Iniciado em 1890, quinze andares, representa uma corrente estruturalista. Outros imóveis significativos inspirados na corrente neo-românica são: o Auditorium Building apresentando sua variedade de funções, e o Carson Pirie Scott Departement Store, que integra uma nítida estrutura octogonal de fachada com um rico sistema decorativo. Significativos os projetos do arquiteto Henry Hobson Richardson (1838-1886) cujo estilo se inspira ao Românico da Itália, Espanha e França Meridional. Sua obra-prima é a “Igreja da Trindade” em Boston (1872).

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Reliance Building – Chicago

 

ECLETISMO NA HOLANDA

A obra que parece concluir o ecletismo histórico é a bolsa de valores de Amsterdam construída por Berlage em 1903. É uma obra de caráter voltado para ao Neo Romântico e realizada nos anos os quais a Art Nouvearu tinha chegado ao seu fim. Todas as paredes da construção são privas de saliências ou recessos; se elevando a diversos metros do solo, a obra tem seu design limpo e amplo espaço. Graças à forma inclinada do telhado é possível apreciar toda a variedade do espaço interior.
Em cima do muro há um rico jogo de prismas triangulares, retangulares e piramidais que remetem a uma cidadela medieval revestida por muralhas e torres. Essa técnica, possivelmente inspirada no corte dos diamantes, torna as fachadas um reflexo dos espaços internos, ao mesmo tempo tentando harmonizar-se com as casas alinhadas ao longo dos canais. No seu interior os espaços são organizados em torno de um grande pátio central, um espaço interno que vale como um externo, assim como uma praça medieval ao interno de um castelo, circundada por arcadas e galerias.

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Bolsa de valores- Amsterdam

 

ECLETISMO NO BRASIL

Durante o seculo XIX, no Brasil o ecletismo foi apoiado e influenciado de maneira acadêmica pela Academia Imperial de Belas Artes e pela Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro. No Rio encontram-se ainda hoje os maiores exemplares da arquitetura eclética no Brasil, como a Escola e Museu Nacional de Belas Artes – MNBA (1908), obra de Adolfo Morales de Los Rios (1858-1928), cuja pluralidade de estilos remete às construções francesas ecléticas, no caso diretamente à fachada do Louvre.

O Teatro Municipal, projetado por Francisco de Oliveira Passos e edificado na Avenida Central, entre 1903 e 1909, é claramente inspirado na Ópera de Paris e aparece como o maior símbolo do ecletismo no Brasil. Destaca-se também na época a atuação do engenheiro militar Souza Aguiar, responsável pelo projeto da Biblioteca Nacional (1910) na mesma avenida, e de Heitor de Mello, em atividade no Rio de Janeiro de 1898 a 1920, autor de diversos projetos de edifícios públicos e residências particulares, como o Derby Clube (1914) e o prédio da prefeitura (1920), na praça Floriano.

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Teatro Municipal – Rio de Janeiro

 

Em comparação ao estilo desenvolvido no Rio, o Ecletismo paulista assume traços peculiares de influência italiana e mais diversidade de modelos e estilos históricos. No caso da habitação particular fala-se de um verdadeiro ecletismo desordenado no qual o exótico e o bizarro tornam-se moda na casa dos novos imigrantes ricos e dos prósperos fazendeiros de café que dominam a recém-construída Avenida Paulista (1891). Certo é que a expansão e a modernização da cidade se dão sob o signo do ecletismo, realçando a atuação do engenheiro-arquiteto Ramos de Azevedo (1851-1928), responsável por inúmeros prédios públicos, entre eles a Escola Normal Caetano de Campos (1894), na praça da República, o Teatro Municipal (1903-1911) e o edifício do Liceu de Artes e Ofícios, atual sede da Pinacoteca do Estado de São Paulo – Pesp (1897-1900), no bairro da Luz.

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Pinacoteca do Estado de São Paulo

Quase todas as capitais brasileiras em expansão no início do século XX são atingidas elo ecletismo arquitetônico, destacando-se a construção do Teatro Amazonas, em Manaus, e o Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte.
A cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, é uma das que apresentam os edifícios ecléticos mais bem conservados do país. Seu centro histórico possui edifícios tombados pelo Patrimônio Histórico, como aqueles próximos à Praça Coronel Pedro Osório, datados do século XIX.
A casa brasileira passa a ter sua fachada principal alinhada à testada do lote, ganha um acesso e varanda laterais e comumente é geminada com sua vizinha. Os portões e gradis são de ferro e essa casa pode receber ainda uma profusão de influências de períodos distintos do passado.

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Teatro Amazonas – Manaus

 

ECLETISMO NA ITÁLIA

Na Itália, antecipações neo-renascentistas são observadas já a partir do fim do Sec. XVIII. No entanto, as obras mais ecléticas aparecem na segunda metade do século sucessivo quando as cidades se expandem devido, também, eventos políticos fundamentais como a unificação dos estados independentes da península. Exemplos notáveis de construções ecléticas são: a “Galeria Vitório Emanuel II” (Milão – 1865) e o “Palazzo delle Assicurazioni Generali” (Florença – 1871).
Nesse mesmo período vemos a afirmação internacional de importantes artistas como os da firma Irmãos Mora em Milão e os marceneiros Truci e Frullini em Florença. Entre todos se destaca o ebanista Gian Battista Gatti (1816-1889) também conhecido como “O Júpiter dos embutidos”.

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Galeria Vitório Emanuel – Milão

 

ECLETISMO NA BÉLGICA

O representante mais significativo da arquitetura eclética na Bélgica foi o arquiteto Hendrik Beyaert (1823-1894). Inventou o estilo “Flemish Renaissance Revival” que tornou-se muito popular na Bélgica principalmente nos últimos 25 anos do Sec. XIX. O elemento arquitetônico característico desse estilo é a reprodução de formas típicas da tarda Idade Média e da Renascença. Famosa é a sua “Casa dos gatos”, em Bruxelas. Outro arquiteto importante é Joseph Poelaert (1817-1879), conhecido por ter projetado o Palácio da Justiça de Bruxelas (1866).

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Casa dos gatos – Bruxelas

 

ECLETISMO NO CANADÁ

As realizações mais significativas da arquitetura eclética no Canadá são as seguintes: o “Hotel Windsor” (Montreal – 1878), o “Royal Military College” (península Kingston – 1976) e o “Langevin Block” (Ottawa – 1884) esse último realizado pelo arquiteto Thomas Fuller. Tanto nas obras citadas, como em outras do mesmo período, o estilo dominante é o “Segundo Império”.

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Royal Military College – Canada

 

ECLETISMO NA ARGENTINA

Classificado como um dos Monumentos Históricos Nacionais da Argentina pela sua arquitetura, o “Palácio dos Correios” de Buenos Aires (1888) teve como arquiteto o francês Norbert Maillart. A estrutura do prédio é reforçada por 2.882 pilares de aço que chegam a 10 metros de profundidade no solo.

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Palácio dos Correios – Buenos Aires

 

ECLETISMO NA AUSTRÁLIA

Um dos estilos mais populares da Austrália foi o “Federation”. Derivado da influência de Richard Norman Shaw, afirmou-se de 1890 a 1915 chegando a compreender uma combinação de doze estilos diferentes, entre os quais o “Queen Anne”. As principais diferenças entre o “Queen Anne” australiano e o original britânico são o vasto utilizo da madeira, em lugar do ferro, para realizar sacadas e terraços cobertos; as janelas são geralmente redondas.

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Casa em estilo Queen Anne – Austrália

 

BIBLIOGRAFIA

– Margherita Di Carlo & Antonio Dominici. Arte in corso. Arnoldo Mondadori Scuola, Milano (1999).

– Jenny Gibbs. Interior Design, 2nd edition, Laurence King Publishing, London (2009)

– E.Colle, Il mobile dell’Ottocento in Italia, Electa, Milano (2007)

Antiquari

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3 comentários

  1. Maravilhosa pesquisa sobre as mais diferentes formas e estilos de arquitetura, no Brasil temos ecletismo na arquitetura, creio também que por causa de tantos estrangeiros, até mesmo no descobrimento, influencias europeia, de Portugal, Holanda, Espanha, Itália, ou seja trazida pelos emigrantes. O Brasil é muito rico no ecletismo, o que o torna ainda mais belo. Aplausos mil.

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