AS CASTANHAS SÃO RADIOATIVAS?

Quando se fala em radioatividade ambiental, a grande maioria das pessoas pensa nas radiações oriundas de usinas nucleares, de isótopos utilizados na pesquisa, na medicina e na indústria, como também nos resíduos de testes nucleares.
Na verdade, de acordo com o Comitê Científico das Nações Unidas sobre os Efeitos das Radiações Ionizantes (UNSCEAR) a maior parte da dose radioativa recebida por um habitante de uma nação industrializada (cerca de 2,4 mSv/ano) é de origem natural.

natural-sources-radiation
Fontes naturais de radiação

Uma primeira fração dessa dose deriva da radiação cósmica (o sol e a nossa galáxia); uma segunda vem da radiação terrestre, ou seja dos raios gama emitidos pelas rochas, pelo solo e por tudo que a indústria produziu a partir dessas matérias primas: tijolos, telhas, revestimentos de gesso, cerâmica, etc.

Uma terceira fonte vem da água consumida na nossa alimentação; uma quarta é gerada pelo gás radônio presente, em concentrações muito variadas, na atmosfera, particularmente dentro de ambientes pouco ventilados.

A quinta fonte se encontra nos alimentos consumidos cotidianamente sendo, felizmente, relativamente baixa quando comparada com as outras fontes. Isso se deve ao fato que os alimentos contêm quantidades modestas de radionuclídeos naturais. A tabela seguinte, retirada de um artigo publicado na revista “The Nucleus“, mostra a concentração de Rádio-226 e de Rádio-228 em amostras de alimentos coletados no Nordeste do Brasil:

Table

No entanto existe uma planta que, por motivos ligados a seu metabolismo, possui a capacidade de absorver rádio do solo e concentrá-lo em seus frutos. Trata-se da famosa Castanha do Pará.
Mediamente, a castanha apresenta uma concentração de Rádio-226 de 41 Bq/kg, mais 25 Bq/kg de Rádio-228.
Esses valores, obtidos no nosso laboratório mediante espectrometria gama, correspondem aqueles relatados na literatura científica internacional.

gamma
Espectrômetro gama

Os nutricionistas e os médicos, que justamente recomendam o consumo desse fruto devido ele ser rico em selênio e ácidos graxos Omega-3, desconhecem o perigo potencial ligado ao seu alto conteúdo de rádio.
Enquanto o consumo for limitado a, digamos, uma ou duas castanhas por dia (=10 g) a dose resultante será mínima. Mas no caso em que sejam ingeridas vinte castanhas diariamente, simples cálculos dosimétricos levam ao resultado seguinte:

Dose = 1 mSv/ano.

Ou seja uma dose que sozinha representaria quase a metade da dose total gerada por todas as outras fontes juntas.
Sem contar que, sendo o rádio um elemento quimicamente semelhante ao cálcio, terá a tendência a se fixar nos ossos podendo, durante os anos seguintes, desencadear um sarcoma ósseo, de difícil tratamento.

Em conclusão: sim às castanhas do Pará, mas sem exagerar. Uma ou duas por dia são suficientes e saudáveis. Aumentar a dose não irá trazer mais benefícios e será um perigo pela saúde de quem as consome.

Castanha-do-pará

BIBLIOGRAFIA

Penna Franca et al.,  Health Phys., 14, 95 (1968)

ICRP, Doses to Members of the Public from Intake of Radionuclides. International Commission on Radiological Protection, Pergamon Press, Oxford (1993)

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2 comentários

  1. Excelente dica, ou melhor, informação que é mais do que simples dica. Estas informações são importantes por não serem divulgadas como deveriam. Por falta delas e de outras semelhantes, consumimos sem saber dos resultados. Um sarcoma nos ossos é uma neoplasia fatal. Obrigada pela “dica””

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