O MUNDO DOS CELTAS

“Existem também alguns filósofos peritos em matérias de religião, que eles chamam de Druidas e são muito honrados entre eles. Não apenas em tempo de paz, mas também durante as guerras obedecem a estes homens e aos Bardos mais do que a qualquer outra pessoa. A tanta obediência se submitem não apenas os amigos como até os inimigos e muitas vezes, quando por exemplo dois exercitos se enfrentam com as espadas desembainadas, estes homens avançam entre eles e conseguem por fim à batalha”

(Diodoro Siculo – Bibliteca Histórica)

HISTÓRIA

Mais de 5.000 anos atrás, localizado no curso inferior do rio Volga, existia um povo (os Indoeuropeus) progenitor dos Hindus, dos Armênios, dos Romanos e dos Celtas; esse povo, de raça caucásica, falava um idioma do qual, sucessivamente, vieram as grandes linguas culturais como o sânscrito, o grego e o latim.

A partir do III milênio antes de Cristo, grupos de Indoeuropeus (entre eles os proto-Celtas) começaram a se espalhar pela Europa ocidental seguindo o vale do rio Danúvio. Estes novos invasores encontraram populações neolíticas autóctones com as quais acabaram se amalgamando.

Nesta fase primordial de colonização, as descobertas arqueológicas relativas às instalações humanas na Europa da Idade do Bronze (II milênio a.C.) não permitem ainda a individuação certa de áreas especificamente “celtas”. No entanto, a própria mitologia céltica contêm elementos que sugerem uma conexão entre esse povo e uma antiga civilização, desaparecida, que prosperou nas costas do Oceano Atlântico (mito de Atlântida).

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Quanto aos grandes megalitos (dolmen, menir, cromlech) não é possível estabelecer com segurança quem foram os construtores desses impressionantes monumentos pré-históricos pois, se por um lado termos como men (pedra), hir (comprido), dol (tábua), crom (redondo), etc. pertencem claramente ao léxico celta, por outro lado é fácil objetar que os Celtas poderiam apenas ter inventado esses nomes para designar elementos que já pertenciam ao habitat deles.

De alguma forma a arqueologia moderna afirma que entre o IX e o VIII século a.C. (ou seja bem no início da Idade do ferro) populações celtas fincaram raizes na Gália, na Península Ibérica e, principalmente, ao norte dos Alpes onde, na Áustria, desenvolveram a importante cultura de Hallstatt. A partir do VII século a.C. os Celtas se espalhram também na Boemia, na Alemanha meridional, no vale do rio Reno, na Britânia, na Irlanda e, possívelmente, na Itália do norte (cultura de Golasecca). É portanto correto afirmar que a expansão celta gerou uma homogeneidade étnica, linguística e econômica que antecipou de alguns séculos a ação unificadora do Império Romano.

Sem dúvidas os Celtas foram o primeiro povo localizado ao norte dos Alpes que, saindo do anonimato, chegou a difundir uma cultura original na maioria do território europeu. Essa cultura, conhecida como “Cultura de La Tène“, representou durante mais de cinco séculos o pólo oposto ao humanismo e racionalismo grego-romano. Nesse âmbito, os artistas celtas souberam conjugar a estilização gráfica com um expressionismo que, na representação de animais, homens e deuses, evidenciava um caráter fantástico e opressivo.

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Em torno da metade do III século a.C. os Celtas entraram em choque com os Romanos os quais, em razão de sua superioridade militar (mas não cultural), conseguiram enfim submetê-los. Assim, na Itália do norte os Celtas foram definitivamente subjugados no ano 222 a.C. quando as tropas romanas ocuparam Milão, capital da Gália Cisalpina.

Em 197 a.C. foi a vez dos Celtíberos da Espanha que, juntamente com os Lusitanos de Portugal, se levantaram contra a dominação romana. Em seguida a resistência contra os opressores concentrou-se na cidade de Numância onde 4.000 destemidos guerreiros celtas colocaram em xeque 60.000 Romanos por mais de quatorze anos até quando, em 133 a.C., a cidade caiu. Os derradeiros defensores preferiram suicidar-se para não se tornarem escravos dos vencedores.

No ano 58 a.C. Julius César, com uma série de batalhas aventuradas, conseguiu submeter os territórios da atual França, Bélgica e parte da Alemanha e da Holanda. A bravura dos soldados celtas foi frustrada pela divisão política e militar das várias tibos da Gália que, não conseguindo articular uma estratégia unitária, foram derrotadas separadamente. Em 53 a.C. os Gauleses tentaram organizar um extremo levantamento coletivo, mas a batalha de Alésia marcou definitivamente a superioridade tática das legiõs romanas.

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Cerco de Alésia

Nos anos 55 e 54 a.C. César organizou duas expedições na Britânia onde, apesar dos sucessos conseguidos, resolveu não ocupar o territôrio contentando-se apenas de um tributo anual. A verdadeira ocupação da ilha ocorreu mais tarde, no ano 43 d.C., sob o reinado do imperador Cláudio. Todavia, apenas 17 anos depois, eclodiu um movimento de revolta liderado pela rainha Boudicca que, dizem, tinha sido açoitada e as duas filhas dela estupradas pela soldatesca.
Boudicca com seus insurgentes ocuparam Londinium (Londres), capital da Britânia, torturando e exterminando 70.000 Romanos e seus aliados até que, em 61 d.C. o governador Svetónio Paulino, comandando apenas uma legião, desbaratou completamente os revoltosos. O massacre foi completo e a rainha Boudicca resolveu suicidar-se. A morte dessa valorosa e cruel patriota marcou o fim da resistência celta na Britânia meridional.

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A rainha Boudicca

Durante todo o tempo da ocupação, as mais genuinas tradições celtas continuaram vivificadas pelos habitantes da Escócia e da Irlanda, cujos territórios nunca caíram som a dominação romana,
Quanto à Espanha e, particularmente, à Gália, o processo de pacificação e de integração (direito de cidadania romana às elites célticas, construção intensiva de estradas, aquedutos, termas, escolas, etc.) foi tão bem sucedido que esses povos acabaram se tornando a componente étnica mais importante do exército romano, tanto do ponto de vista numérico como qualitativo.

A SOCIEDADE

O alicerce da sociedade celta era a família. Dela faziam parte um chefe de família com uma ou mais esposas, os filhos, os irmãos mais novos, as noras, os sobrinhos, os netos, etc. ou seja todos os parentes colaterais. Até os antepassados eram considerados parte integrante da família.
Na Irlanda vigorava o sistema matriarcal, podendo a mulher ter relações sexuais com mais de um marido.

Embora os Celtas não tivessem um verdadeiro conceito de “estado”, cada tribo reconhecia a autoridade de um soberano. No entanto a autoridade do rei não era absoluta, sendo a opinião dos Druidas considerada mais importante daquela do rei. Muito prestigiados eram também os nobres e os guerreiros, sendo eles responsáveis pela segurança da comunidade. De grande consideração gozavam enfim todas as pessoas cultas como os poetas, os músicos e os artistas.
À base da estrutura econômica celtica estavam os agricultores e os criadores de gado que, porém, não possuiam individualmente as terras, sendo elas consideradas um bem coletivo da família ou da tribo.
Os escravos eram, na grande maioria, prisioneiros de guerra.

Tanto a vida pública como aquela particular ficavam sob o controles dos Druidas. Esses homens e mulheres ocupavam o lugar de juízes, professores, sacerdotes, adivinhos, magos, médicos, atrônomos e cientistas constituindo, provavelmente, a carateristica mais original do mundo celta.
Periodicamente, Druidas provenientes de lugares e tribos diferentes (até em guerra entre elas) se reuniam em assembléias para celebrar rituais complexos e misteriosos.

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Druida

Nos “momentos de folga” os Druidas transmitiam parte de seus conhecimentos às novas gerações. O ensino, que podia durar até aos 25 anos de idade, era essencialmente oral e os discentes tinham que decorar inúmeras noções. A função principal do ensino druídico era o conhecimento da natureza, de suas energias (telúricas e cósmicas), de suas leis e de seus ritmos. Essa formação cultural explica porque os Celtas mantinham um relacionamento tão íntimo, harmonioso e respeitoso para com o ambiente natural.

As plantas sagradas dos Druidas eram o carvalho e o visco. A palavra carvalho, em lingua gaélica, significa “porta” e, efetivamente, a sapiência druídica consentia a abertura de uma passagem entre o mundo físico e o mundo espiritual. Quanto ao visco era a única planta que brotava em pleno inverno, confirmando assim a perpétua regeneração da vida.

AGRIFOGLIO
Visco

De forma geral os Celtas atribuiam às árvores uma função primária na visão global do mundo e de suas práticas religiosas.
Muitos eram os animais venerados: a águia, a vaca, as abelhas (símbolo da perfeição e da imortalidade), o cavalo, o veado, o urso, o cachorro e o cisne. O javalí, o animal sagrado dos Druidas, tinha a dupla função de símbolo feminino lunar (a gironda branca) como de arquétipo solar viril devido à frenesia sexual e ao furor bélico desse porco selvagem.

As mulhers celtas desfrutavam de mais autonomia do que as de outras culturas contemporâneas. A partir da maioridade (14 anos) ela adquiriam o direito de escolher o marido, de solicitar o divórcio e de dispor livremente de seus bens.
O casamento era uma institição exclusivamente social e a cerimônia não tinha algum caráter religioso.
A lei permitia o concubinato, o divórcio e até a homossexualidade masculina que, de acordo com o historiador Diodoro Sículo, era bastante praticada pelos jovens celtas.
Aos 17 anos os rapazes recebiam a emancipação e, após um ritual de iniciação, tornavam-se guerreiros. Cientes de gozar de uma proteção divina especial, muitos guerreiros desdenhavam a couraça e combatiam praticamente nus.

A guerra tinha um significado religioso e, embora os soldados celtas tivessem o hábito de ornar seus cavalos com as cabeças cortadas dos inimigos, nunca praticaram a tortura sobre os prisioneiros de guerra.
A fidelidade aos comandantes, escolhodos livremente, além de absoluta era reforçada frequentemente mediante banquetes rituais onde eram consumidas enormes quantidades de carne assada e de vinho.

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Os Celtas cuidavam tanto da higiene pessoal como do vestuário. De regra as roupas eram ostentosas e ulteriormente enriquecidas com bordados coloridos.
Muito aprecidas eram as joias fabricadas com ouro, âmbar, bronze, coral, esmalte e vidros coloridos. A joia mais característica desse povo era o torquis, uma espécie de coleira em ouro e bronze usada tanto pelos homens como pelas mulheres.

CIÊNCIA E ARTE

O calendário céltico foi um dos mais elaborados que existiram no mundo antigo. Eles celebravam o começo do dia através do anoitecer, coerentemente com um calendário baseado sobre as quadraduras da Lua. Esse calendário lunar constava de dois ciclos: um comprido de 300 anos e um curto de 20 anos que correspondia exatamente ao tempo necessário para o aprendizado das artes druídicas.
Foi recentemente comprovado que os Celtas conseguiram utilizar os grandes complexos megalíticos para medir e dividir o tempo, calcular as órbitas dos planetas, o movimento das estrelas e prever eclípses de Sol e de Lua.
O ano era baseado sobre dois eventos: o surgir de Aldebaran, que marcava o início do peíodo quente, e o surgimento de Antares que anunciava a chegada do frio.
Os meses do ano eram os seguintes:

Janeiro: ANAGÁNTIOS (tempo para ficar em casa)
Fevereiro: OGRÓNIOS (tempo do gelo)
Março: CÚTIOS (tempo dos ventos)
Abril: GIAMÓNIOS (tempo dos rebentos)
Maio: SIMIVISÓNIOS (tempo da claridade)
Junho: ÉQUOS (tempo dos cavalos)
Julho: ELÉMBIOUS (tempo das assembléias para julgar)
Agôsto: EDRINOS (tempo das sentenças)
Setembro: CANTLOS (tempo das canções)
Outubro: SAMÓNIOS (tempo da semeadura)
Novembro: DUMÁNIOS (tempo da escuridão)
Dezembro: RIÚROS (tempo do frio)

O Celtas estudaram cuidadosamente as relações energéticas, positivas ou negativas, entre as correntes telúricas subterrâneas e a vida das plantas, animais e seres humanos na superficie da Terra, compartilhando assim com os Chineses o mérito da descoberta da Geobiologia. Com efeito, não é por acaso que muitas catedrais góticas surgem onde existiam fontes subterrâneas e grutas já veneradas pelos Celtas; além disso, várias catedrais abrigam imagens da Virgem Preta cuja origem é claramente relacionada a um dos aspectos (Lua Velha) da deusa Karidwen.

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Karidwen

Os antigos celtas aprenderam também a desfrutar o poder curativo das fontes de água mineral e termal. A maioria das doenças era tratada mediante fitoterapia utilizando tisanas, infusões, pomadas e cataplasmas obtidas a partir de ervas medicinais como a beladona (um alcalóide com propriedades antispásticas e antisecretivas), a artemísia, a salva e, naturalmente, o visco. Para a cura de certas enfermidades era aconselhada a cromoterapia, a musicoterapia (escuta dos sons emetidos pela harpa céltica), a dança e até o combate ritualizado.

O conhecimento científico dos Celtas abrangia outrossim a química e a metalurgia; de fato eles dominaram completamente a tecnologia do ferro e chegaram a produzir lâminas extremamente cortantes dispensando o uso de laminadores. Inventaram um novo tipo de lotão, sendo assim o único povo do mundo a utilizar a smithsonita (carbonato de zinco); foram também os primeiros a extrair e utilizar o mercúrio para pratear objetos de cobre.
Muita avançadas eram as técnicas de tecedura e de tingidura.

O patrimônio artístico dos Celtas era imenso. No campo da escultura a representação fantástica de elementos animais ou vegetais era dominante se comparada com a representação da figura humana. O estilo decorativo refleita a visão do mundo ensinado pelos Druidas, ou seja a predominância de formas curvas (expressão de um conceito dinámico da vida e do universo), e a presença insistente do círculo e da espiral atestavam suas necesidades espirituais e a certeza religiosa de um centro.
Não havia entre os artistas célticos aquela tendência ao individualismo característica do mundo greco-romano e a habilidade dos artistas e a competência dos artesãos possuiam essencialmente a função de satisfazer as nescessidades de toda a sociedade.

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De regra os Celtas moravam em aldeias faltando, no idioma deles, um vocábulo correspondente à palavra “cidade”. As casas eram de madeira com pisos de alvenaria; os únicos edifícios feitos com tijolos eram a cidadela fortificada e um perímetro defensivo circular. È interessante observar que na arquitetura celta faltava aquela dimensão de monumentalidade típica dos povos mediterrâneoas e orientais.

Alguns Druidas, chamados de Bardos, haviam se especializado na produção poética finalizada à transmissão de preceitos religiosos, ao conhecimento da natureza, ao fortalecimento da identidade cultural através da repetição de histórias, mitos e lendas do passado.
Frequentemente os Bardos eram curandeiros que valiam-se do poder da palavra falada e até escrita (alfabeto oghámico). O aprendizado dos poetas era dividido em sete estágios durante os quais o aluno devia decorar até 350 composições literárias cuja memorização era facilitada juntando as noções a serem aprendidas em grupos de três aforismos conexos entre eles (tríades dos Bardos).

A RELIGIÃO

O ensino druídico inculcava na população celta uma grandíssima veneração pela Natureza, considerada a mãe sagrada de todos os seres viventes. Embora os Celtas acreditassem num princípio único e incriado, o OIW, admitiam também a existência de 400 divindades (aspectos imperfectos do Ser Supremo) que se manifestavam nos vários âmbitos da natureza.
O símbolo visível do OIW era o Sol (simbolizado pelo triskel), do qual saíam três raios, ou seja as três formas de energia das quais dependia a ordem dinâmica do cosmo: Amor, Força e Sabedoria. O contato com a dimensão divina era realizado seja nos bosques, lugares sagrados por antonomásia, como junto aos lagos, às fonte, nas grutas e, naturalmente, lá onde existiam antigos monumentos megalíticos.

A trindade mais importante da religião céltica era representada pelos deuses Lugh, Karidwen e Dagda. Dos três o mais prestigiado era Lugh que, por outro lado, podia manifestar-se em várias formas como, por exemplo, Keráunos, o deus chifrudo; Taranis, o deus das tempestades; Belenos, “o Luminoso”, etc.
Karidwen representava a Grande Mãe e, como Lugh, tinha suas “variantes”: Artio, que aparecia aos mortais sob o aspecto de uma ursa; Epona, que podia assumir a forma de um rio; Rhiannon, a deusa da morte; Mórrigan, a fada; Coventina, a deusa da poesia e da profecia; Brigit “a Brilhante”.
Dagda não possuía variantes mas, como deus dos ínferos, era objeto de grande veneração.

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A deusa Brigit

Embora o Sol fosse considerado o símbolo visível do Ser Supremo, na mitologia céltica era particularmente importante a componente noturna, em particular a Lua, relacionada ao ciclo indivisível da vida e da morte. Igualmente importantes eram as águas (rios, fontes, lagos, a chuva, etc.) e a Terra, arquétipos do elemento feminino e materno.

Um dos aspectos mais intrigantes e complicados da religião celta era o conceito de constante evolução da divindade segundo o qual não só não havia antítese entre a matéria e o espírito, mas o próprio ser humano era o resultado de um processo evolutivo. Consequentemente, na cosmologia dos Celtas sempre faltou qualquer mito da criação.
No ensinamento druídico a manifestação divina compreendia quatro mundos (ou círculos). No centro estava o OIW absoluto e, sucessivamente, vinham o mundo da consciência espiritual, o mundo físico (onde o ser humano enfrentava a experiência da morte) e a matéria bruta que, todavia, podia ser considerado, num movimento oposto, o ponto de partida de um novo processo evolutivo.

A morte física significava o fim da cooperação entre os quatro elementos; o “corpo astral” do defunto entrava num mundo invisível onde era mantida a memória da vida terrena. Vagarosamente essa memória ia se dissolvendo e o corpo astral enfrentava uma segunda morte que permitia o acesso ao mundo do olvido (tercéira morte). Daqui, dependendo da evolução espiritual alcançada durante a vida terrena, a alma podia entrar no círculo espiritual (da imortalidade) ou regressar ao múndo físico.

Em termos universais, esses ciclos tinham que continuar até que todos os seres viventes não tivessem alcançado a sua imortalidade potencial.
A busca de um caminho que, através de provas, permitisse ao ser humano a passagem do mundo físico (dominado pela necessidade) ao mundo espiritual (dominado pela liberdade) foi um dos temas mais genuínos e vigorosos da tradição céltica, permanecendo intacto durante séculos e chegando a formar a base cultural da lenda do Santo Graal.

O circulo espiritual era chamado de Sídhe que, etimologicamente, continha o duplo signifiado de paz e de outeiro fadado. Sendo o ponto final do além-túmulo era descrito como um lugar de beatitude, de fartura inesgotável e de infinitos prazeres (principalmente sexuais), representando ao mesmo tempo uma dimensão particular povoada de seres normalmente invisíveis, mas providos da capacidade de passar do mundo físico a este universo paralelo.
O Sídhe estava em todos os lugares e em nenhum em particular, sendo frequentado por criaturas mágicas como fadas, sílfides, duendes, elfos, etc.

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Os Celtas dividiam o ano em quatro momentos principais e reuniam-se em clareiras para festejar o início de cada uma dessas fases nas seguintes festas:

SAMHAIN (1° de novembro) que marcava o início da fase escura do ano. Todos os fogos eram apagados e os Druidas acendiam um fogo ritual no cume de um morro, assim que todos pudessem desfrutá-lo com a finalidade de difundir nas casas luz e calor renovados. Na mágica noite de Samhain (sucessivamente chamada de Halloween) abriam-se as portas dos ínferos permitindo assim um contato entre os finados e os viventes. Unicamente naquela noite as criaturas mágicas se tornavam visíveis aos seres mortais.

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IMBOLC (1° de fevereiro) celebrava o despertar primaveril da Natureza e as casas eram purificadas mediante a acensão de velas oportunas. Esse ritual, na época ligado a Brigit (a Deusa Branca), continua ainda hoje com o nome de Candelária.

BELTANE (1° de maio) coincidia com o início da fase clara do ano. Nessa ocasião os Druidas acendiam um fogo sagrado esfregando ramos de carvalho e queimando sete diferentes tipos de lenha. Era a festa principal da fertilidade e da fecundidade que só podia decorrer da cooperação de quatro elementos rituais: fogo, terra, água e ar. O clima geral era de muita alegria, com cantos, bailes e noivados. Durante toda a Idade Média, o 1° de maio (calendimaggio) foi a festa mais importante e animada na cidade de Florença.

LUGHNASADH (1° de agosto) celebrava o casamento do deus Lugh com a Mãe Terra. Era a festa da colheita e de grende significado social. As várias tribos reuniam-se nas assembléias, os atletas competiam entre eles, os mercantes fechavam seus negócios enquanto que os Bardos se desafiavam em disputas poéticas.

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Stonehenge

BIBLIOGRAFIA

Mario Attilio Levi. Il Mondo Antico e la Grecia Arcaica. UTET, Torino (1969)
Walter Morini. Tre Imperatori e la loro Fama. Ferni, Ginevra (1973)
Charles Dufay. L’Impero Cristiano. Ferni, Ginevra (1974)
Pierre Antonetti. La Vie Cotidienne à Florence au Temps de Dante. Achette, Paris (1979)

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