QUEM ERA BARRABÁS?

Tradicionalmente, Barrabás é identificado nos Evangelhos como “salteador” ou “assassino”. Em certo sentido seria o oposto de Cristo, uma pessoa egoísta, um malvado desprovido de amor, de humanidade, quase um símbolo do Anticristo.
Mas será que essa imagem corresponde à realidade?
A resposta é não, e isso pode ser facilmente comprovado.

Vamos começar pelo nome.
Na atual tradução do Evangelho de Mateus está escrito: “E tinham então um preso bem conhecido, chamado Barrabás” (Mateus 27,16). Entretanto trata-se de uma tradução que omite uma palavra extremamente importante. Com efeito, o antigo texto escrito em grego diz: “Tinham, naquele tempo, um preso famoso, Jesus Barrabás” (1).
Destarte descobrimos que o nome de Barrabás era Jesus.

Por qual motivo as traduções modernas censuraram o primeiro nome de Barrabás?
Não será porque também Jesus, nos Evangelhos, era chamado “Joshua bar Abba”, ou seja, literalmente, Jesus o filho do Pai, exatamente como Barrabás?
Nessas alturas surge espontaneamente uma pergunta: foram objetivamente duas pessoas diferentes (embora com o mesmo nome e o mesmo apelido) ou uma só pessoa?
É realmente inacreditável que no mesmo processo, no mesmo dia, na mesma hora, tinham aparecido duas pessoas com o mesmo idêntico nome: isso cheira a história muito mal contada.

Mas vamos agora analisar o motivo pelo qual Barrabás foi preso.
A tradição atesta que ele havia sido preso pelos Romanos por ter assassinado um homem. No entanto, no Evangelho de Marcos está escrito: “Um homem chamado Barrabás estava na prisão com os rebeldes que haviam cometido assassinato durante uma rebelião” (Marcos 15,7).
Portanto, tanto Marcos como Mateus não apenas não afirmam que ele fosse um homicida, e nem sequer um dos revoltosos. Apenas nos dizem que o réu havia sido aprisionado durante uma revolta na qual alguém havia cometido um assassinato.
Essa forma de narrar os acontecimentos parece até sugerir que Barrabás nada tinha a ver com o referido motim.

Examinamos agora o comportamento de Pilatos.
O Prefeito romano, após ter condenado tanto Barrabás como Jesus, pressionado pelo populacho, manda soltar o primeiro, condenado à morte por um crime político de sua competência, e ordena que Jesus seja crucificado (pena reservada aos rebeldes políticos) por um crime religioso de competência exclusiva do Sinédrio.
Como explicar um fato tão absurdo e contraditório?
Só admitindo que tudo ocorreu de forma bem diferente de quanto afirmado pelos Evangelhos. Ou seja, Barrabás, absolvido da acusação política inconsistente, foi libertado enquanto Jesus, reconhecido culpado de insurreição armada, foi condenado à morte.

Os Evangelhos insistem em afirmar que o povo de Jerusalém, o mesmo que uma semana antes havia aclamado Jesus com essas palavras: “Hosana, Filho de Davi e Rei de Israel”, mudou subitamente de opinião pedindo a sua condenação.
Os Judeus chegam ao ponto de gritar: “O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos” (Mateus 27,25).
Essa seria a mais terrível auto maldição observada em toda a história da humanidade.

É evidente que isso nunca poderia ter ocorrido de verdade, mas que esses acontecimentos foram inventados pela necessidade ideológica dos Evangelhos de fazer com que a responsabilidade da condenação de Jesus caísse exclusivamente sobre aqueles que não tinham culpa alguma, ou seja, os Judeus.
Por qual motivo?
Simples, para Paulo de Tarso ter como divulgar a figura de Cristo entre os Romanos apresentando-o como uma vítima da perfídia dos Hebreus, inimigos de Roma e do povo Romano.
Pois é óbvio que os outros povos do Império nunca teriam aceito um profeta caracterizado por uma postura patriótica e anti-romana.
Ao contrário, um Jesus pacifista e tolerante em relação aos ocupantes romanos  teria sido aceito (e foi aceito) sem o menor problema.

(1)    Novum Testamentum Graece et Latine. E. Nestle. Stuttgart, 1957.

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