JESUS ERA CASADO?

De acordo com a tradição cristã, Jesus não teria tido uma esposa, embora os Evangelhos não afirmem explicitamente que ele fosse solteiro.

No entanto, lendo os próprios Evangelhos, sabemos que Jesus foi apelidado muitas vezes de Rabi (professor, mestre) tanto no Evangelho de Mateus: “E logo, aproximando-se de Jesus, disse: Eu te saúdo, Rabi; e beijou-o.” (Mateus 26,49), como no de João: “Natanael respondeu, e disse: Rabi, tu és o Filho de Deus; tu és o Rei de Israel.” (João 1,49).

Estranhamente, nas versões modernas dos Evangelhos de Marcos e Lucas, esse termo foi traduzido com a palavra “Mestre”, todavia mestre é o mesmo significado que Rabi e sabe-se que entre os Israelitas vigorava a Lei da Mishná segundo a qual “nenhum homem solteiro podia ser Mestre”.
Aliás, o celibato era considerado uma forma de imperfeição, tanto é que o bom e devoto cidadão tinha a obrigação moral de se casar e procriar filhos para fortalecer a casa de Israel.

Também o próprio Jesus nunca pregou o celibato mas, ao contrário, declarou: “E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne.” (Mateus 19,5).
Se Jesus tivesse propagandeado o celibato, no contexto da sociedade hebraica o fato teria sido considerado tão relevante como, pelo menos, a questão do repouso no dia de sábado e teria sido relatado nos textos.

Evidentemente Jesus se comportou como um judeu normal, respeitoso da Lei e da tradição judaica da época em que ele viveu.
Fica, portanto, comprovado que Jesus era casado.

Além disso, o Evangelho de Felipe, texto gnóstico encontrado em 1945 na localidade de Nag Hammadi (Egito), nos versículos 32 e 55 afirma explicitamente que Jesus era casado e a sua esposa era Maria Madalena: “Eram três que iam sempre junto com o Senhor: sua mãe Maria, sua irmã, e a Madalena que é dita ser a consorte dele”. E ainda: “A consorte de Cristo é Maria Madalena. O Senhor amava Maria mais que todos os discípulos e a beijava na boca”.

Então de onde surgiu a crença relativa ao celibato de Jesus?

Foi Paulo de Tarso o qual, no intento de transformar a figura de Jesus de messias jeovista, qual havia objetivamente sido na realidade histórica, no Cristo “Filho de Deus” qual devia aparecer no quadro da sua construção teológica, teve que mergulhá-lo num contexto de misticismo isento de referências terrenas, ou seja uma família, uma esposa, filhos, irmãos, etc.
Foi a partir dai que Jesus tornou-se solteiro.

Essa imagem de Jesus, progressivamente reforçada pela Igreja dos primeiros três séculos da nossa era, acabou prevalecendo e ainda está de pé nos dias de hoje, baseada unicamente sobre considerações teológicas, mas desprovida de qualquer evidência histórica e literária.

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